{"provider_url": "https://www.araguari.mg.leg.br", "title": "Hist\u00f3ria", "html": "<h2>\u00a0HIST\u00d3RIA DA C\u00c2MARA MUNICIPAL DE ARAGUARI</h2>\r\n<p style=\"text-align: left; \">A instala\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara em Araguari deu-se no ano de 1884 em 31 de Mar\u00e7o. A partir desse marco, a Vila de Brejo Alegre passou a exercer sua emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e administrativa, sendo al\u00e7ada \u00e0 categoria de cidade no ano de 1888, por influ\u00eancia de seus legisladores e da atua\u00e7\u00e3o do Deputado Provincial Pe. Lafayete de Godoy.</p>\r\n<p style=\"text-align: left; \">\u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0 A primeira C\u00e2mara de Araguari instalou-se em im\u00f3vel situado \u00e0 Pra\u00e7a da Matriz, esquina com a Rua Dom Pedro II. A edifica\u00e7\u00e3o tinha as caracter\u00edsticas do per\u00edodo, um sobrado com amplas janelas que abrigou tamb\u00e9m o F\u00f3rum e a Cadeia Municipal. Posteriormente, a sede foi transferida para a Rua Virg\u00edlio de Melo Franco, em local denominado pelo povo de \u201cpr\u00e9dio da caixa d\u2019\u00e1gua\u201d, pois nele encontrava-se instalado um grande dep\u00f3sito de \u00e1gua.</p>\r\n<p><img src=\"https://www.araguari.mg.leg.br/fotos/primeiropredio.jpg/image_preview\" alt=\"C\u00e2mara Municipal Antiga\" class=\"image-inline captioned image-inline\" title=\"C\u00e2mara Municipal Antiga\" /></p>\r\n<p>\u00a0</p>\r\n<p style=\"text-align: left; \">\u00a0Os anos se passaram e os agentes executivos (prefeitos), eleitos indiretamente, exerciam conjuntamente os cargos legislativo e executivo do munic\u00edpio.</p>\r\n<p style=\"text-align: left; \">\u00a0 \u00a0 \u00a0 Entre os anos de 1898 a 1915, ocupou o cargo de Agente Executivo o Cel. Olympio Ferreira dos Santos, sendo substitu\u00eddo pelo vice, Nicolau Elias, no per\u00edodo de 1901 a 1904.</p>\r\n<p>\u00a0</p>\r\n<p>\u00a0</p>\r\n<p style=\"text-align: left; \">No ano de 1916, a C\u00e2mara Municipal mudou-se para sua atual sede, localizada \u00e0 Rua Cel. Jos\u00e9 Ferreira Alves, montando um cap\u00edtulo especial da hist\u00f3ria do Executivo e Legislativo em Araguari.</p>\r\n<p style=\"text-align: left; \">\u00a0</p>\r\n<p style=\"text-align: left; \">Em 1947, aconteceram as primeiras elei\u00e7\u00f5es no munic\u00edpio de Araguari, saindo vitorioso do pleito Dr. Oswaldo Pieruccetti. Pela primeira vez, pode-se escolher o dirigente do Executivo, denominado Prefeito Municipal. Uma nova etapa foi delineada no cotidiano araguarino. A C\u00e2mara Municipal assumiu um car\u00e1ter Legislativo, todavia consta que no im\u00f3vel da mesma, alguns setores do Poder Executivo ainda permaneceram, como a tesouraria e o centro de sa\u00fade.</p>\r\n<p style=\"text-align: left; \">\u00a0</p>\r\n<p style=\"text-align: left; \">Durante alguns anos, os eleitores votavam separadamente para prefeito e para vice. Os vereadores n\u00e3o recebiam remunera\u00e7\u00e3o por seu trabalho. O vereador que se candidatasse ao cargo deveria visar somente o aux\u00edlio \u00e0 comunidade, n\u00e3o tendo sal\u00e1rio ou ganho com reuni\u00f5es extraordin\u00e1rias, conforme informa\u00e7\u00e3o do ex-edil Odilon Neves. Eles n\u00e3o dispunham de gabinete particular e assessores, viajavam \u00e0s pr\u00f3prias custas quando \u00e0 servi\u00e7o da cidade e n\u00e3o tinham verba para consumo ou despesas de pessoal. Apesar de ser visto com bons olhos o trabalho volunt\u00e1rio em prol da cidade, a C\u00e2mara entrou em per\u00edodo de decad\u00eancia, n\u00e3o aparecendo muitos candidatos \u00e0s vagas, assim o servi\u00e7o come\u00e7ou a ser remunerado.</p>\r\n<p style=\"text-align: left; \">\u00a0</p>\r\n<p style=\"text-align: left; \">\u00a0 \u00a0 \u00a0 A hist\u00f3ria da C\u00e2mara Municipal se funde com a do munic\u00edpio, pois os representantes do legislativo auxiliam o Poder executivo na fiscaliza\u00e7\u00e3o de seus atos e na proposi\u00e7\u00e3o e legitima\u00e7\u00e3o de projetos que visam solucionar problemas da comunidade.</p>\r\n<p style=\"text-align: left; \">\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0 Tudo inicia-se com a doa\u00e7\u00e3o de um terreno localizado na antiga Rua Municipal, atual R. Cel. Jos\u00e9 Ferreira Alves, efetuada pelo Sr. Alfredo Sim\u00f5es de Lima e para sua afilhada Asmara de Carvalho Santos, filha do Cel. Olympio.</p>\r\n<p style=\"text-align: left; \">\u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0 Tendo a filha recebido o terreno na forma de presente, o Cel. Olympio no ano de 1914, exercendo o cargo de Agente Executivo, iniciou a constru\u00e7\u00e3o de um \u201cpalacete\u201d para ser a resid\u00eancia de sua fam\u00edlia. O im\u00f3vel em quest\u00e3o era na \u00e9poca, o \u00fanico pr\u00e9dio particular constitu\u00eddo de dois pavimentos, e, por ser constru\u00eddo em terreno acidentado e ter enfrentado cont\u00ednuas chuvas de ver\u00e3o, o custo da obra foi excepcional.</p>\r\n<p style=\"text-align: left; \">\u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0 Como em qualquer ocasi\u00e3o, os boatos corriam pela cidade. Eles eram baseados nas afirmativas de grandes gastos na edifica\u00e7\u00e3o e na alega\u00e7\u00e3o de que no im\u00f3vel estava sendo empregado dinheiro p\u00fablico. A constata\u00e7\u00e3o do disse-que-disse veio no ano de 1916, quando tendo disputado as elei\u00e7\u00f5es municipais no ano anterior e perdido o pleito, o Cel. Olympio deixou o poder ap\u00f3s quase 15 anos de mandato.</p>\r\n<p style=\"text-align: left; \">\u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0Assim, a nova gest\u00e3o da C\u00e2mara apurou um alcance de 24:069$399 r\u00e9is em preju\u00edzos ao cofre p\u00fablico, contra o ex-agente. O Coronel, segundo sua alega\u00e7\u00e3o, temendo a hostilidade dos advers\u00e1rios, resolveu entregar o pr\u00e9dio rec\u00e9m-constru\u00eddo, com suas obras terminadas no m\u00eas de julho de 1915 e no qual residiu sua filha Asmara at\u00e9 fevereiro de 1916, para a C\u00e2mara Municipal para ali sediar o novo Pa\u00e7o Municipal.</p>\r\n<p style=\"text-align: left; \">\u00a0</p>\r\n<p style=\"text-align: left; \">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Em nota oficial o Cel. Olympio ofereceu a resid\u00eancia para a C\u00e2mara:</p>\r\n<p style=\"text-align: left; \">\u00a0</p>\r\n<p style=\"text-align: right; \">\u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0\u201cSciente de que essa ilustre edilidade cogita da aquisi\u00e7\u00e3o de um pr\u00e9dio, onde melhor se adapte o se funcionamento, tomo a liberdade de oferecer para o dito fim, o pr\u00e9dio de minha resid\u00eancia.De constru\u00e7\u00e3o s\u00f3lida e elegante, com dois pavimentos, disp\u00f5e o mesmo, das comodidades necess\u00e1rias, acrescendo ter sua situa\u00e7\u00e3o na mesma rua onde sempre funcionou a c\u00e2mara.</p>\r\n<p style=\"text-align: right; \">\u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Reiterando minhas sauda\u00e7\u00f5es firmo-me.</p>\r\n<p style=\"text-align: right; \">\u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Olympio Ferreira dos Santos\u201d</p>\r\n<p style=\"text-align: left; \">\u00a0</p>\r\n<p style=\"text-align: left; \">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Assim o im\u00f3vel foi ocupado pelo Pa\u00e7o Municipal. Anos depois, Asmara, contado com sua maioridade, tentou reaver a casa. A partir desse momento, as partes entraram em lit\u00edgio, havendo uma batalha judicial para a defini\u00e7\u00e3o do verdadeiro propriet\u00e1rio da edifica\u00e7\u00e3o.</p>\r\n<p style=\"text-align: left; \">\u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0 As provas e as testemunhas que foram arroladas no processo sinalizaram para a tend\u00eancia de uso do dinheiro p\u00fablico, enquanto outras defendiam a causa de Asmara, s\u00e3o algumas delas: Albino Ign\u00e1cio dos Santos, carpinteiro que trabalhou na obra por sete meses e Jos\u00e9 Matheus, negociante, alegaram as dificuldades na obra, gerando altos gastos; Guinziano Zamboni, ferreiro, fez as grades de ferro, o port\u00e3o e as bicas da casa, dep\u00f4s que o pagamento recebido foi parcialmente efetuado em tal\u00e3o de cheques da C\u00e2mara. Al\u00e9m dessas evid\u00eancias, a autenticidade da doa\u00e7\u00e3o do terreno fora levantada nos cart\u00f3rios, gerando controv\u00e9rsias visto que, n\u00e3o existia o registro do terreno em nome de Asmara.</p>\r\n<p style=\"text-align: left; \">\u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0Ao t\u00e9rmino do inqu\u00e9rito, o edif\u00edcio continuou nas m\u00e3os do Poder P\u00fablico, n\u00e3o obtendo \u00eaxito no processo a jovem Asmara.</p>\r\n<p style=\"text-align: left; \">\u00a0\u00a0 \u00a0 O inqu\u00e9rito depois de dar ganho de causa para um lado e depois para outro em inst\u00e2ncias diferentes, foi finalizado e escreveu a hist\u00f3ria do magn\u00edfico pr\u00e9dio, tombado pelo Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico Municipal no ano de 1998. N\u00e3o se sabe ao certo se tudo aconteceu licitamente ou se foi arbitr\u00e1rio. A quest\u00e3o \u00e9 que o pr\u00f3prio Cel. Olympio entregou o pr\u00e9dio em 02/03/1916, na forma de escritura de doa\u00e7\u00e3o \u00e0 C\u00e2mara Municipal, que na \u00e9poca era comandada pelo Agente Executivo (prefeito) Adalardo Alberto Ferreira da Cunha.</p>\r\n<p style=\"text-align: left; \">\u00a0 \u00a0 Quanto a Asmara, a Lei n\u00ba 293, de 20 de mar\u00e7o de 1924, autorizou o Agente executivo, Marciano Santos, a entrar em acordo com a reivindicante, o que foi efetuado. Asmara de Carvalho Santos recebeu a import\u00e2ncia de 1:800$000 r\u00e9is, pagando de certa forma, sua propriedade sobre o terreno.</p>\r\n<p style=\"text-align: left; \"><img src=\"https://www.araguari.mg.leg.br/imagens/copy_of_Cmaraantiga.jpg/@@images/84e4c230-151b-4549-a34c-e2cfc55f8a5e.jpeg\" alt=\"Antiga Resid\u00eancia do Cel. Olympio Ferreira dos Santos\" class=\"image-inline\" title=\"Camara antiga\" /></p>\r\n<p style=\"text-align: left; \">Antiga Resid\u00eancia do Cel. Olympio Ferreira dos Santos</p>\r\n<p style=\"text-align: left; \">\u00a0</p>\r\n<p style=\"text-align: left; \"><img src=\"https://www.araguari.mg.leg.br/imagens/camara600x400.jpg/@@images/0fea019f-5103-4612-ba8a-ebc9ccc32e0c.jpeg\" alt=\"C\u00e2mara Municipal Atual\" class=\"image-inline\" title=\"Camara atual\" /></p>\r\n<p><span>C\u00e2mara Municipal Atual</span></p>\r\n<p><span><br /></span></p>\r\n<p><span>Texto retirado de:\u00a0</span></p>\r\n<p style=\"text-align: left; \">MAMERI, Abdala, Pelos Caminhos da Hist\u00f3ria, Coisas e Fatos de Araguari, 1988, Artgraf;</p>\r\n<p style=\"text-align: left; \">Texto elaborado pelo professor Abdala Mameri, Intitulado \"Pr\u00e9dio da C\u00e2mara Municipal\".</p>\r\n<p style=\"text-align: left; \">PILETTI, Nelson, Hist\u00f3rias do Brasil, 1996, Editora \u00c1tica, S\u00e3o Paulo (SP).</p>\r\n<p style=\"text-align: left; \">Apontamentos do Dr. Calil Porto</p>\r\n<p style=\"text-align: left; \">Jornal Gazeta do Tri\u00e2ngulo - 10/06/1969 - Folhinha de Araguari</p>\r\n<p style=\"text-align: left; \">Jornal Di\u00e1rio de Araguari - 15/01/2001 - Coluna: Marcas de um tempo. Processo c\u00edvel n\u00ba 5.600.\u00a0</p>", "author_name": "rgr", "version": "1.0", "author_url": "https://www.araguari.mg.leg.br/author/rgr", "provider_name": "C\u00e2mara Municipal ", "type": "rich"}